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O voto que vai mudar Petrolina

Só é possível mudar a sociedade quando a liberdade é conduzida por uma consciência social que está enraizada no passado e comprometida pela responsabilidade com o presente e o futuro *Por Gilmar Santos

Ocupação Sta Helena/Petrolina-PE. Foto: Hyarlla Want
Ocupação Sta Helena/Petrolina-PE. Foto: Hyarlla Wany

Petrolina é uma cidade construída dentro do processo de exploração de criadores de gado do período colonial, exterminadores de indígenas, escravocratas e comerciantes que herdaram terras dos seus antepassados e passaram a influenciar e decidir politicamente sobre a vida da população em geral, formada por trabalhadores e trabalhadoras empobrecidos/as.

As famílias privilegiadas procuraram manter viva, nos monumentos e espaços da cidade, a história dos seus líderes, dos coronéis e demais agregados da parentela. É uma forma de manter ativa a dominação política. Já as classes populares não foram estimuladas a pensarem sobre sua história, de onde vieram, a importância dos seus antepassados. Por isso, muitas vezes, forjadas por uma “política de puxa-saquismo”, são transformadas em meras “plateias” para aplaudirem e venerarem os “grandes feitos” dos “patronos” e filhos das oligarquias.

Só é possível mudar uma sociedade se conhecemos a sua história e a forma como ela se organiza. Pensar, questionar, refletir, são exercícios fundamentais para o processo de libertação de um povo. Por que as periferias de Petrolina são o que são?  Por que a maioria das famílias moram em péssimas condições?  Por que a maioria da população, a classe trabalhadora, periférica, negra, se submete a ser governada por um jovem privilegiado, oriundo de uma família que fez fortunas através da exploração do patrimônio público e de manipulações dos mais diversos meios para se manter no poder? Por que as classes populares votarão nessas elites que propagam a ideia do “Novo”, depois de 4 anos de um governo que usou o slogan “Novo Tempo” e deixou a maior parte das periferias atrasadas?

Só é possível mudar a sociedade quando a liberdade é conduzida por uma consciência social que está enraizada no passado e comprometida pela responsabilidade com o presente e o futuro. O voto é uma das formas de expressar a liberdade com responsabilidade, ou o contrário —- quando você permite que o poder econômico compre a sua dignidade, levando a sua liberdade a ser exercida para fins que comprometem a vida em todos os sentidos. Ao votar nos projetos das famílias privilegiadas que apoiaram ditaduras, golpes e promoveram reformas que transformam trabalhadores em escravos, você é cúmplice de um determinado projeto de sociedade. Ao usar a denominação “força política”, a oligarquia local, deixa bastante explícito o tipo de política que lhe convém: a política da força, do abuso, da truculência, do mandonismo.

A classe dominante em Petrolina é golpista. Ficou provado quando apoiaram a ditadura militar de 1964. Quem frequenta o Parque municipal da cidade pode conferir logo na entrada através de uma série de fotos onde membros da oligarquia pousam com ditadores, gente que autorizou ou estimulou torturas. Mas a sanha golpista não para por aí. Em 2016 foram grandes articuladores do golpe que derrubou o governo da presidenta Dilma e integraram o governo golpista e ultraliberal de Michel Temer. Em 2018 apoiaram a campanha de mentiras que elegeu um ex-capitão e deputado federal à presidência do Brasil e participam do pior e um dos mais violentos governos da história do país. Apesar disso, a maioria da população do município votou no candidato do Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadores, o professor Fernando Haddad —  já que o presidente Lula estava preso, com o apoio dessa elite, para não concorrer as eleições presidenciais.

 Com o atual cenário, proporcionado pela pandemia da COVID-19, as mazelas promovidas por esses governos são expostas de forma assustadora. O país volta ao mapa da miséria e da fome. Petrolina, com pouco mais de 350 mil habitantes, tem aproximadamente 250 mil pessoas em situação de extrema pobreza. Em quatro anos do atual governo, a cidade se transformou num canteiro de obras de pavimentação asfáltica, duplicação de avenidas e construção de rotatórias, sem critérios de democracia, transparência e economicidade. Educação, Saúde, Cultura, Assistência Social, Saneamento e Habitação ou são fragilizadas pelo desmonte das políticas sociais implementadas durante os governos Lula e Dilma, ou são um faz-de-conta, ou não existem por falta de competência e democracia. Dos 23 vereadores que compõem a Câmara Municipal, 18 são da base do governo. Com parentes e amigos lotados em cargos comissionados da Prefeitura representam mais os seus interesses que os da população. Qual voto mudará essa realidade? 

Gilmar Santos é professor, licenciado em  História (UPE), atualmente está vereador em Petrolina. representando o projeto de Mandato Coletivo pelo Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras (PT).  

Contato wpp: 87-9-9802-0102.

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