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O apego dos Coelhos ao governo federal em 70 primaveras

“Considerando a conjuntura política feudal e com hierarquias hereditárias com concentração econômica e de poder, e oligarquias postas pelo nordeste, a família Coelho é um derradeiro remanescente que cobiça prorrogar um ciclo dominante”*Por Marcelo Damasceno

A lógica governista e conservadora em 70 anos de uma quase dinastia dos Coelhos em Petrolina dá exata noção de como se dominar parte de um eleitorado. Um cativeiro com cara democrática que mantém subliminarmente dependências e favores públicos e privados.

Desde o presidente Eurico Gaspar Dutra, que dá nome à ponte que liga Petrolina a Juazeiro, com a eleição de Nilo Coelho em 1948, deputado estadual, numa arrancada que lhe conferiu mandatos, com exceção do governo de Pernambuco, possibilitado pelo colégio biônico e unção da ditadura militar. Dessa odisseia conservadora com vínculos ornamentados em legendas de cromossomo militarista, ranços de TFP, traços adaptados a partidos com vísceras de PSD, ARENA, PDS, PFL e DEM, os Coelhos sempre foram de vocação governista.

Com a ditadura instalada, o primeiro dos presidentes-generais, o cearense Castelo Branco, visitou Petrolina em 1967, sendo recebido pelo governador Nilo Coelho. Com exceção de Juscelino Kubitschek e João Goulart, mandatários populistas de centro-esquerdista, todos os presidentes conservadores tiveram apoio político e recepções glamorosas da família Coelho nesta cidade do extremo oeste pernambucano.

Os Coelhos, também por meio do núcleo Bezerra, faturaram ministérios no governo Dilma Rousseff e Michel Temer. O agora líder bolsonarista do governo, senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) foi ministro da Integração; Fernando Filho, seu primogênito, ministro das Minas e Energia, respectivamente. A ideologia foi exigência de menos para FBC na sua articulação e projeto de poder. Fernando tornou-se fio condutor para esses novos tempos de Coelhos no poder, fechando-se em copas, priorizando seus filhos, indiferente a parentes e amigos. Com a morte de Nilo e Osvaldo Coelho, seus tios, FBC centralizou os interesses políticos e tornou-se líder da sua parentela. De modo exclusivo e por eliminação.

Da esquerda para direita: Fernando Bezerra Coelho, Jair Bolsonaro e Miguel Coelho

Considerando a conjuntura política feudal e com hierarquias hereditárias com concentração econômica e de poder, e oligarquias postas pelo nordeste, a família Coelho é um derradeiro remanescente que cobiça prorrogar um ciclo dominante. Pela avaliação de alguns cientistas políticos e jornalistas, esse ciclo com verniz feudal deve findar se FBC não conseguir renovar seu mandato de senador e em 2022 não emplaque o filho Miguel Coelho ao governo de Pernambuco. A sobrevivência política da família Coelho inclui a reeleição possível de Bolsonaro, bem como a imposição de uma derrota aos socialistas que por meio do PSB ainda dão as cartas na politica hegemônica dos clãs Campos e Arraes que controlam o oxigênio político de Pernambuco.

Nos 70 anos de domínio em Petrolina, os Coelhos governam e ostentam cargos comissionados, controlam órgãos federais, decidem por postos chave em agenciais oficiais de bancos e resolvem varejos em secos e molhados em mínimos detalhes. Em máximas ocasiões também como agora: Ter de passar vergonha alheia com o desagradável Jair Bolsonaro. Num tom mal-acostumado.

*Por Marcelo Damasceno

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